As armadilhas escondidas em recompensas imediatas

Acredito que todo mundo já tenha ouvido falar sobre o famoso experimento do marshmallow – no qual as crianças são colocadas numa sala de frente para o doce, e orientadas a esperar 15min. As que faziam isso, ganhavam dois doces, e as que não faziam, comiam apenas aquele ali.

Essa capacidade de adiar as recompensas seria algo a ser replicado ao longo da vida, e promoveria resultados melhores nos âmbitos pessoal e profissional.

Acho que todo mundo já entendeu, a essa altura de 2023, os benefícios de adiar as recompensas: não comer todos os doces, não gastar todo o dinheiro, não desistir na primeira dificuldade. Se você seguir adiando suas recompensas, eventualmente, colherá recompensas melhores no futuro.

Eu mesma, em novembro de 2023, estou colhendo os juros de não ter adiado muitas recompensas. Financeiros, sem dúvida, pela falta de planejamento e organização, controle do impulso na hora das decisões de compra. Físicos e fisiológicos, por ter habituado meu organismo a ultraprocessados que já não faziam parte da minha rotina há mais de uma década. Vou falar mais sobre esse último tópico, hoje.

Desde que eu recebi o diagnóstico de depressão, abandonei completamente qualquer rigidez na alimentação, sob pena de acumular problemas de comportamento alimentar, no momento mais delicado da minha vida. E foi nesse período, mesmo, que me vi desenvolver uma fissura por açúcar que nunca havia conhecido antes.

Eu sempre fui uma pessoa que gostava de coisas salgadas, não de doces, quando o assunto era quebrar a rotina: pizza, lanches, eventualmente um pastel. Mas esses anos depressiva me modificaram, e eu virei aquela pessoa formiguinha, sempre apoiada num docinho.

Quando recebi minha alta, quase 2 anos atrás, isso me fez pensar que era hora de me reeducar, e voltar a comer como antes (eu era aquela pessoa conhecida como “saudável” nas rodas de amigos). E me vi sem vontade de retomar esse posto. Fui tentando melhorar, aqui e ali, mas a verdade é que o hábito havia se formado.

Agora, eu era a pessoa que vivia petiscando, e comia muito mais carboidratos refinados, geralmente em conjunto com meus amigos do trabalho. Bolos, cucas, lanches pedidos para “lidar” com o trabalho presencial em anos de pandemia. À parte disso, eu mesma havia retomado o costume de comer cookies, salgadinhos, e as famigeradas balinhas que foram sempre uma perdição para mim.

Isso, associado ao passar dos anos (estou a 8 meses de completar 40 anos), me fizeram realizar algumas marcas que não atingia há muito tempo, como: não caber nos shortinhos 38, ter ganhado 4kg, sentir muitas roupas apertarem.

E o pior, ou o que mais me incomoda no presente momento, que é um brainfog constante, muito difícil de superar. Sinto fraqueza na hora de praticar minha yoga, o que é uma barreira, e também sinto sonolência fora do comum. Sinto necessidade de cafeína, e uma lentidão mental muito grande. Uma dificuldade em pegar no tranco e engajar nas minhas atividades. Uma falta de energia que, em tempos pregressos, me fez chegar ao diagnóstico de depressão.

Antes de entregar os pontos, no entanto, eu tenho um caminho de mudanças a fazer. Começando pela alimentação, já que esse combustível adulterado que eu tenho utilizado, está causando mal estar no meu corpo e no meu cérebro. Hoje fazem 3 dias que não consumo nenhum tipo de açúcar refinado, e eu honestamente me sinto um lixo. A falta de energia é assombrosa.

Espero que estar nesse estado me ajude a não cair novamente no mesmo padrão, por que recomeçar é mais difícil, você não se sente saindo do zero, você se sente saindo do -5. Talvez até mais, dependendo dos últimos acontecimentos.

Também estou fora do instagram durante o mês de novembro, experimento que tem me rendido uma sensação interessante de sobra de tempo, de relembrar quem eu sou, fora daquele mesmo gatilho de sempre. Eu contei mais sobre isso aqui nessa newsletter que mando semanalmente.

Vou daqui a alguns minutos ao médico, pedir exames para me certificar de que não estou com algum nutriente em falta, e por isso esteja tão indisposta. Porém, com ou sem resultados de exames, eu sei que a alimentação andou muito ruim, e precisa melhorar.

Assim como sei que preciso de atividade física diária, e não só nos dias de praticar yoga. Se eu quiser gerar mais energia, terei que gastar energia, é assim que funciona. E essa é uma recompensa nada imediata, pelo contrário – levam meses até que algo pareça fazer algum sentido.

Me parece ser o único caminho, no entanto.

Um comentário em “As armadilhas escondidas em recompensas imediatas

Deixe um comentário