O dia em que eu me libertei da confirmação externa

No primeiro semestre de 2023, minha instrutora de yoga começou a dar aulas online num certo instituto “holístico” aqui da região, e eles me convidaram para ir até lá gravar um podcast. Disso, me convidaram para gravar um curso de ayurveda, introdutório , para leigos.

A ideia era que ali eles conheceriam a minha didática, o meu conteúdo, e os alunos também – e eventualmente, gravaríamos outros cursos e tudo o mais. Não recebi um centavo por esse trabalho, e isso foi de comum acordo. Eu queria muito gravar um curso. Queria saber como era o processo, e poder destravar um certo medo disso em mim.

Gravei o curso todo em cerca de dois meses, e foi uma experiência interessantíssima: eu nunca havia estado num estúdio profissional, com videomaker, edição, iluminação, som. A qualidade das imagens e do som ficou ótima, e o conteúdo também.

Sem falsa modéstia – eu fiz algo de que posso me orgulhar do resultado.

No decorrer do processo, no entanto, fui ficando um pouco intrigada com o tal instituto. Eles usam de um marketing bastante agressivo, vendem por um preço baixíssimo uma quantidade imensa de horas de aula, com diferentes professores. Os próprios alunos com quem eu conversei, me falam que foram fazer o curso pensando que “era tão barato, que não custava experimentar”.

As redes sociais do instituto começam a receber uma avalanche imensa de comentários e inboxes reclamando de pouco retorno da área de suporte. E eu mesma, começo a ficar incomodada com a maneira como as coisas são tratadas comigo.

Era tudo muito polido, meio solto, sem clareza do que realmente estava sendo dito. Membros da equipe, com quem eu tinha contato, vão sendo desligados do lugar, ninguém explica nada.

Como se fosse uma esteira, em que um bonequinho cai, para o próximo levantar, novas pessoas passavam a entrar em contato, para falar de trabalho comigo.

Inicia o mês de junho, com ele chegam as minhas férias. Tiro 3 semanas para viajar, me ausento completamente do tal instituto, já com a ideia de não retornar.

Porém, como já contei no último post, eu sou patologicamente educada. O meu plano era fazer de conta que eu recebera uma grande demanda profissional na primeira segunda-feira pós férias, e por isso, não poderia dar continuidade ao meu trabalho com eles.

Dias antes disso acontecer, mais uma leva de demissões, recomeços de conversas, novos protocolos para coisas já anteriormente pactuadas. E aí, eu fico aflita para saber a versão dos dispensados, para colher novas informações, para “me inteirar”.

Até que paro. E reflito: eu já formei a minha opinião. Eu já tomei a minha decisão. Eu já tinha até um plano, embora malfeito, de como me desvincular da situação. A troco de que eu precisava de novos dados e relatos?

Fiz o que tinha de fazer, e fui seguir com a minha vida.

Até hoje, recebo mensagens e comentários nas minhas redes sociais, que eu mesma não tenho como resolver, de demandas dos alunos do instituto, que nada têm a ver com o conteúdo da minha matéria.

Colhendo frutos de algo que semeei. Respondo educadamente e redireciono as pessoas.

De tudo isso, ficaram vários aprendizados e novas reflexões, além desse presente tão importante que é: eu ter conseguido, antes dos 40 anos, tomar minhas decisões com base naquilo que eu sinto, penso e quero. Sem precisar coletar “novos dados” para então formar minha opinião.

Até porque tinha vezes, que eu não fazia isso por estar indecisa, mas sim, por querer ouvir do lado de fora a validação de uma decisão que eu já havia amadurecido do lado de dentro. E hoje me sinto feliz de não precisar mais disso, e ser boa o suficiente para ouvir a minha própria opinião.

Espero que o texto faça sentido, mesmo sem tantos detalhes, para não expor terceiros.

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